2013-10-07 11.42.06

 

Gosto
Vou tirar o desgosto de sua boca
com meu gosto
Antes que o oposto
me dilua
Sou frágil com as mãos
mas ainda há amor
Sou perdido com os pés
mas ainda há estrada
Posso buscar jardins eternos
mas ainda diria que são flores
Poderia fazer a fonte da juventude
e ainda diria ser só água
Estávamos falando de coisas,
que coisas?
O que havia pra dizer
depois que nada há a se dizer?
Fiquei perdido nos seus
gestos de sangue
Na sua leveza de nuvem
de chumbo
Teria que apagar mil anos
desse Universo
Para que ficasse
com uma ordem ancestral
Mas não os nossos
mil anos, não!
Esses deixarei para
que carregue
Porque haverá um dia
que esquecida de tudo
Poderá olhar os olhos
e assustada sentir
A boca sem nome
que disse seu nome
Como se a lembrar
o impossível de existir
E sem querer
mesmo sem nada
Sorrir como se tivesse
vivido o nosso infinito

Andre Pinto

http://www.allprinteditora.com.br/shakyonte

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