Minha convidada de hoje e a Dr. Elisabeth Amorin, minha amiga de muitos anos, que além de escrever belissimas poesias atua na proteçao e defesa dos animias de Petrópolis.

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Linha

Eu escrevi para você todos os dias em que estivemos distantes. Escrevi nas folhas que a chuva despencava e iam ao chão, inconsoláveis. Escrevi nas noites em que as estrelas não conseguiam dormir, e, insones, vagavam num infinito que se afastava em negrume. Escrevi nas nuvens mais distantes, para que não houvesse terra aonde meu apelo não fosse. Escrevi nas águas mais revoltas, porque meu coração urrava e eu não o sabia consolar. Escrevi em todos os idiomas em que o Amor possa ser recitado – em nenhum rimava com Abandono ou Solidão. Escrevi de olhos fechados para que o desejo não se esvaísse, de olhos abertos para que a dor não o cegasse. Escrevi, até que meus dedos doessem, até que minhas pernas fraquejassem, até que me faltassem as palavras. Será, e eu jamais saberei se você não o disser, que em alguma dessas vezes, você me recebeu?!
(Bete Amorim)

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